''Quando acertamos ninguém se lembra, quando erramos ninguém se esquece''

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PROJETO FICHA LIMPA



Na primeira semana de maio, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) deverá votar o parecer do deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP) ao projeto de lei que exige ficha limpa para pessoas se candidatarem a cargos eletivos. Esta proposta já vem se arrastando a um bom tempo, até que enfim este dia chegou. Quando a proposta chegou à Câmara ela já tinha mais de 1,6 milhão de assinaturas e agora, na reta final, ela só depende de uma votação da CCJ e depois do plenário da Casa. Já tentaram fazer emenda de todos os modos, mas o momento está chegando. E, segundo o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), o projeto Ficha Limpa entrará em votação na Câmara na primeira semana de maio. Caso seja aprovado, teremos novos políticos concorrendo a cargos na eleição, e não somente os mesmos, como sempre acontece; talvez seja esta uma forma de mudar as coisas.

A Mãe do filho

''Mãe de Marcelo Dourado, vencedor do último programa Big Brother, está decidida a posar nua'', disse a notícia... Que coisa. Se eu ganhasse um milhão e meio de reais eu daria todo o milhão e meio de reais pra minha mãe esquecer esta ideia. Enfim, cada um cuida da mãe do jeito que quer.

domingo, 25 de abril de 2010

A QUINTA ESSÊNCIA - o filme

Nos últimos dias de março, terminei a minha mais nova produção independente do grupo de cinema que ainda tento manter vivo. O filme, intitulado A QUINTA ESSÊNCIA, conta a história da última descendente do povo godo, erradicada no Paraná na década de 40. Escrevi, dirigi, produzi e não atuei, preferi ficar na técnica para fazer um trabalho mais centrado. Modéstia jogada no lixo, aparentemente ficou bom. O resultado foi uma boa produção, com boas atuações e um bom roteiro. A primeira exibição pública aconteceu na sexta feira dia 16 de abril, no cenário que serviu de locação para as filmagens. Estavam presentes todos os envolvidos, e mais alguns admiradores do cinema de baixo orçamento. Como registro, aqui escrevi...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

PRECONCEITO


Mais de trezentas mil pessoas afetadas. Quase 80 mil famílias desabrigadas, 25 municípios em estado de emergência e centenas de mortos. Este é o saldo mais recente das chuvas que vem caindo sobre o Nordeste brasileiro, principalmente nos estados do Piauí e Maranhão. Agora pergunto: por que ninguém fala nada? Por que não há uma mobilização para resolver este problema também? No ano passado a chuva atingiu Santa Catarina, a mídia fez o seu papel e o Brasil inteiro ajudou a contornar a situação por lá. No início deste ano foi São Paulo, e agora, no mês de abril, o Rio de Janeiro, e por qual motivo não falam nada do Nordeste? Isto parece preconceito, tá cheirando preconceito... Na verdade parece demais com preconceito.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A culpa é da PULSEIRA... De novo

Há muitos dias e horas num passado não muito distante fiz um texto dizendo neste blog que as assim conhecidas pulseiras do sexo eram uma balela, uma coisa chata para criar problemas em nossas cabeças tão atormentadas com outros problemas, eis então que agora, contrariando as regras da realidade preto e branco que vivemos, aparece uma notícia, proveniente de Londrina, a mesma cidade que um teste de ligação fora feito para conferir o conhecimento sobre as tais pulseiras do sexo. Naquela ocasião ninguém por lá conhecia ou tinha ouvido falar das tais pulseiras, então, alguns bandidos resolveram se aproveitar da situação e fazer o improvável nesta terra onde se plantando tudo dá, estruparam uma menina, alegando que as pulseiras seriam a primeira causa. No exato momento que escrevo este novo texto, alguém deve estar culpando as pulseiras como sendo elas o chamariz causador de tal ato, ou não; outros devem estar questionando e dizendo, o que este infeliz sabe sobre isso?
Agora, as pulseiras coloridas, chamadas de "pulseiras do sexo", "pulseiras da malhação" ou "pulseira da amizade", levaram quatro rapazes a saírem com uma menina de 13 anos, e aparentemente estuprarem esta moça. O fato aconteceu em Londrina, no norte do Paraná, onde estes rapazes, sendo três deles menores de idade e um deles possuidor de carteira de identidade com a indicação 18 anos, teriam violentado esta menina. Devido a este fato, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Londrina, proibiu a venda das pulseiras na cidade. A Câmara Municipal também discute a proibição. Pretendem proibir em todas as lojas de ambulantes, assim como em todas as escolas de Londrina.
As pulseiras finas, feitas de silicone, apareceram em vários e-mails no final do ano passado, espalhados por vários computadores Brasil afora. Na mensagem on line diziam que esta moda havia surgido na Inglaterra, onde cada cor de pulseira representava uma atitude com o parceiro, que vai de um simples abraço, até a prática de sexo. O comando para que o parceiro realize tal ação, é feito quando um dos parceiros arrebenta a pulseira do outro, segundo informações dos e-mails suspeitos que circularam por aí. O interessante é que a escola inglesa presente nas mensagens era fictícia, a invenção das tais pulseiras não tinha uma origem conhecida, ou seja, tudo muito surreal. Em Londrina ocorreu algo relacionado a este e-mail, onde, uma menina, usando as pulseiras teria feito sexo com quatro rapazes, sendo um deles maior de idade.

Desta forma, vamos analisar este caso somente colhendo dados que as notícias divulgadas nos deram. A menina de 13 anos teria conhecido três meninos, os três menores, num terminal de ônibus de Londrina. Ela saiu da escola e estava esperando o ônibus pra casa, os três chegaram, rolou uma conversa, e isso virou uma nascente amizade. Para que os três chegassem nela podemos elaborar duas teorias, ou eles já a conheciam de vista da escola, e ali viram o momento ideal para fazer isto, ou ela era muito bonita, atraente e chamava atenção de alguma forma; caso contrário seria só mais uma no meio da multidão. As reportagens não dizem que ela foi falar com os três, pois isto desmentiria o ''estupro'' que viria depois. No dia seguinte, um deles chegou na adolescente e arrebentou a pulseira preta, que convencionalmente representaria o sexo. "Ficou muito claro que a motivação foi o uso da pulseira, porque eles não tinham laço de amizade", afirmou o delegado, enfim, talvez a conversa do dia anterior não tenha tido sentido algum para o policial. E mesmo que os jornais tenham publicado o termo ''nascente amizade'', isto não significa que podiam se considerar amigos, segundo a polícia, mas tudo bem, voltamos ao ocorrido. "Ela disse que, depois que arrebentou, eles pressionaram que ela teria que fazer e ela se sentiu constrangida e os acompanhou até a casa de um deles." Que fala estranha esta. Depois que o menino arrebentou, sem que ela fizesse nada pra impedir, pois parece que é isto que dá a entender, ela deixou que ele fizesse, eles a pressionaram para fazer o que significava a pulseira preta, ou seja, sexo. Como alguém pressiona neste caso, num lugar público? Fica falando na orelha da menina, vamos fazer, vamos fazer, vamos fazer, vamos fazer? Ou fica dizendo: você deve fazer, eu arrebentei a pulseira, você deve fazer, você deve fazer o que a pulseira manda, e o que ela manda fazer é sexo. A menina contou que eles falavam: “Vai ter que pagar,vai ter que pagar”. Muito estranho isso. O menino arrebentou a pulseira, ela sabia o que aquela pulseira significava. Eles estavam num terminal de ônibus, ela tinha a opção de ir embora, como faz todos os dias, ou ir para a casa de um dos rapazes transar, que era o que insinuava a pulseira, então, ela pensa, pensa, pensa, e decide, ‘’não posso decpcionar, afinal, brincadeira é brincadeira, caso eu decepcione estes meninos eu posso ficar queimada na escola, e isto vai me constranger, então, vamos para sua casa fazer o que a pulseira diz pra fazer’’. E ela foi, não pra casa dela, mas para a casa de um deles. Uma vez lá, transaram, depois ela foi embora, e claro, acabou contando pra alguém da família dela. Em momento algum os jornais publicaram que ela foi arrastada a força para a casa dos meninos. Ela não foi sequestrada no terminal, com mordaças na boca e cordas nos punhos. Ela simplesmente foi, depois que alguém arrebentou a pulseira preta, onde supostamente ela sabia do significado daquilo, que era fazer sexo. Segundo diz a brincadeira, e segundo disseram na reportagem insinuando que ela ficou ''constrangida'' em não ir.
Obviamente a família da menina procurou a Delegacia do Adolescente, agora pasmem, no dia 23, somente no dia 23 a família foi até a delegacia contar tudo o que aconteceu. O fato aconteceu no dia 15, a menina conheceu os meninos no dia 14, e transaram no dia 15, a família esperou até o dia 23 para ir a um órgão competente relatar o fato. Por quê? Outra pergunta: quem disse que ela estava brincando com o jogo das tais pulseiras? Pelo fato dela ter as pulseiras no pulso, isto não quer dizer que ela estivesse brincando de ''pulseira do sexo''. A adolescente foi entregue ao Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) para que tenha acompanhamento psicológico. Por que acham que ela ficou abalada mentalmente? Por ter transado com os meninos? Será por isso? Ou por que ela foi ''estuprada'' segundo a notícia publicada. Para o rapaz de 18 anos, a legislação prevê, em caso de condenação, pena de 8 a 15 anos, por que cometeu um crime, segundo a lei, ela é menor de idade, e ele maior de idade. E os menores que ali estava, para eles, a lei prevê que sejam encaminhados para medidas socioeducativas ou para internação, pois isto é o que manda a lei.

Agora, pensando de outra forma, e se ela estivesse no terminal, esperando o ônibus, encontrou os meninos, foi pra casa de um deles, transou com eles, voltou pra casa, e sentiu a vontade de comentar o que tinha feito. Comentou, criou um problema com os pais, por que só tem 13 anos, e para a maioria dos pais, adolescentes com 13 anos não sabem nada sobre sexo, e então decidiram questionar a menina. Por fim, a culpa foi das pulseiras coloridas do sexo. Malditas pulseiras, sempre elas... O que houve foi, a menina transou com alguns meninos, o que não é novidade pra ninguém no dia de hoje. Meninas transam, com meninos que conhecem no mesmo instante, ou no dia seguinte, algumas até esperam mais tempo, outras ainda esperam muitos anos, e por fim tem as que esperam a vida toda. E se ela dissesse não, não vou, nada teria acontecido? Ou teriam ''estuprado'' ela ali mesmo, no meio do terminal de ônibus? O termo estupro fora colocado devido ao fato daquele ser de 18 anos estar envolvido no ocorrido. Se fossem só os menores seria sexo, somente isso, os jornais iriam publicar, ''adolescente de 13 anos fez sexo com três meninos, devido a pulseira do sexo'', por que alguém tem que ser culpado por isso.

Após a família desta menina fazer a denúncia à polícia, outras 6 famílias disseram que suas filhas também sofreram abusos por causa das pulseiras, mas os responsáveis não quiseram prestar queixa à polícia. Por quê? Talvez porque não tivesse nenhum rapaz maior de idade envolvido naqueles 6 casos, sendo assim, era só sexo. Não é novidade pra ninguém as meninas fazerem sexo. Moro numa comunidade onde a educação sexual inexiste, na medida do possível tentamos incentivar o uso da camisinha, pois sexo eles vão fazer, queira ou não queira. Mesmo com campanhas a favor do preservativo, não é novidade meninas de 12, 13 e 14 anos aparecerem grávidas. Embora não há uma educação sexual permanente, todos que estão na rua sabem perfeitamente o que é sexo, e como fazer. Isto não é novidade pra ninguém. Voltando ao caso de Londrina o rapaz de maior foi detido pela polícia, e em seu depoimento ele disse: ''a aluna topou acompanhar os quatro e que o ato sexual foi com o consentimento dela'', isso ficou óbvio na notícia veiculada. Ela, por sua vez, contou detalhes da relação e disse que foi obrigada a fazer sexo oral em dois deles, tendo em vista que os outros dois já a penetravam. A palavra ''obrigada'' neste caso fechou o cerco para o rapaz maior de idade. Mesmo que ela tenha ido, feito o que fez e se arrependido depois, para a lei brasileira, por ele ser maior de idade e estar com uma menina menor de idade, ele já cometeu um crime. Os meninos com menor idade, não prestaram depoimento ainda, e ninguém mais ouviu falar deles. Talvez para eles foi só sexo mesmo.

Por fim, a justiça da cidade de Londrina proibiu o uso da pulseira do sexo. Menores de idade que estiverem portando tal objeto serão encaminhados ao juizado de menores. Seguindo o exemplo, Maringá proibiu as pulseiras também. E mesmo todo mundo sabendo desta onda de sexo ao arrebentar as pulseiras, uma galera continua usando. Talvez seja pelo sexo, e não pela pulseira. Quem sabe? No mesmo caminho das proibições, o estado de Santa Catarina também proibiu, por fim, dois cadáveres femininos apareceram em Manaus. As vítimas foram violentadas antes de serem assassinadas, e ao lado delas, pulseiras do sexo arrebentadas... Malditas pulseiras, elas novamente.

CHUVA, esporte, e DINHEIRO


O Estado do Rio de Janeiro foi tomado por uma forte chuva no dia 6 de abril, ontem. Ruas estão alagadas, pessoas estão desabrigadas, gente morreu; até o último boletim publicado o saldo era de 95 mortos, neste momento este número já deve ter quase dobrado, aulas estão suspensas, e agora pela manhã o prefeito disse para as pessoas evitarem sair de casa. Carros foram arrastados pela água como se fossem barquinhos. Pessoas corriam na tentativa de salvar outras pessoas, e acabavam sendo arrastadas pela água.

Ao ligar a televisão para saber um pouco mais sobre as notícias vindas de lá, vi um jornalista demonstrando preocupação com o problema afetado ao futebol. Imagens do estádio do Maracanã foram mostradas, onde o gramado, ontem, estava totalmente tomado pela água, e hoje, já estava quase sem água, devido a drenagem; enquanto o jornalista com a voz trêmula, dizia num ar de indignação, como se alguém tivesse culpa pelo que aconteceu, que o jogo do flamengo que seria realizado ontem, teve de ser adiado por causa da chuva. E daí? Como diz o jornalista Milton Neves, ''futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes'', quem se importa com um jogo quando tem gente se amontoando pelas ruas, com fome, com dor, e sem ter mais um lugar para morar? Pelo amor de Deus! Talvez até os torcedores mais fanáticos tenham esquecido do jogo, vai saber.

Com a água baixando e a chuva diminuindo pouco a pouco, começam os problemas. Num boletim divulgado as dez horas da noite, políticos que visitavam o lugar começaram a se acusar. A culpa é de quem? Talvez depois de tanto empurra empurra, culpem São Pedro, por ter mandado a chuva. É mais aceitável nesta ocasião, pois este culpado não precisará responder nada. Pior do que ficar acusando quem não fez o quê no passado, são os pedidos de verbas, que já começaram. Dinheiro para reconstrução disso e daquilo, jornalistas esportivos já começaram a procurar soluções para o piso do estádio do maracanãzinho, que ''tem uma agenda de eventos lotados até outubro, e isso não pode parar''. Disse o homem. Estádio este que vai receber um piso de borracha para dar continuidade aos eventos ali realizados, para alívio dos agendados.

Então pergunto: por que não pode parar? Por que o esporte é mais importante? Por qual razão não se pode cancelar uma Copa do Mundo, ou Olimpíadas, que seja, para investir o dinheiro que seria investido em estádios e vilas olímpicas; em infraestrutura e melhores condicões de sobrevivência, não só para estas pessoas que perderam tudo, mas para tantas outras que vivem em condições iguais ou piores de vida? Por que o esporte é mais importante que a alimentação de brasileiros desnutridos, que pouco têm, e pouco conseguem em sua existência, devido ao fato de não ver a possibilidade de criar oportunidades em suas vidas?

Os mais críticos dirão: para isso já pagamos impostos. Sim, e pagamos muito imposto, mas... Pra onde vai o dinheiro de tanto imposto, que pouco vejo ser aplicado no dia a dia. A rua que passa em frente a casa onde moro tem mais de 40 crateras, pois já evoluíram da condição de simples buracos, este problema se estende há mais de 10 anos. Um detalhe, eu não parei de pagar meus impostos nestes 10 anos, mas eles pararam de fazer asfalto. Pra onde foi o dinheiro? Para a saúde? Senti problemas de saúde no mês passado, fui ao posto de saúde, esperei por 2 horas e 51 minutos. O médico tirou minha pressão e agendou um exame para o mês de agosto. Talvez até lá minha saúde não esteja mais por aqui. Por que tão longe? Por que tem muita gente na frente. E pra onde vai o dinheiro dos impostos que não pode contratar mais médicos, construir mais hospitais ou mais postos de saúde? Talvez estejam sendo investidos em pisos de borracha, que custam em média 50 a 90 mil reais, ou até mesmo em construções e reformas de estádios de futebol. Por que Deus nos livre de um gramado ficar com poças de água e a bola não correr durante o jogo.

No ano passado (2009), depois de um jogo realizado no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, na capital do Paraná, onde a torcida do Coritiba, após ver o time ser rebaixado para a segunda divisão de um campeonato de futebol, entrou em campo e destruiu mais da metado do estádio, jogando cadeiras e placas de publicidade em cima de policiais e quem quer que fosse que ali estivesse. Naquele instante, pensei, pra quê realizar uma copa do mundo num lugar assim? A violência se estendeu pelas ruas, onde incontáveis ônibus foram depredados, apedrejados e destruídos. Estações tubo foram arrebentadas. Senhoras e senhores inocentes que faziam uso dos ônibus naquele momento, receberam pedradas depois que os vidros dos carros foram quebrados. No desespero, motoristas tentavam se livrar de vândalos que corriam para cima de quem estivesse na rua. Pessoas foram atropeladas, pisoteadas e a polícia não venceu prender tanta gente destruindo o centro da cidade. Após o quebra quebra no centro, a violência foi se espalhando para os bairros. Por fim, perguntei novamente a minha memória de mastodonte, pra quê realizar uma copa do mundo num lugar assim? Pra que investir tanto dinheiro naquilo que serve para diversão e por fim pode acabar em morte?

Faço a mesma pergunta neste momento a minha mesma memória de mastodonte, pra quê pensar em esporte num momento de tragédia como este? Pra quê manter o plano de gastos infinitos na construção de um monte de coisa, e reforma de mais um outro monte, se tem uma galera que não tem a mínima condição de sobrevivência neste país? Os mais radicais irão dizer que não adianta dar o peixe, tem que ensinar a pescar; mas, aí entra outra pergunta: pescar onde? Se nem as condições para pescar uma grande maioria tem.

Por enquanto, resta esperar a normalidade. Enquanto o presidente lança o PAC2 sem ao menos ter concluído o PAC1, políticos tentam driblar a opinião pública, na tentativa de fazerem os mais desatentos esquecerem, que estes mesmos políticos já foram acusados por crimes de corrupção, e agora estão aí, alegres, no intuito de se candidatarem e por mais uma vez serem eleitos com mérito; mesmo assim, alguns outros estão preocupados com os danos causados ao esporte após a chuva forte que atingiu o refúgio carioca.

Não se espantem quando os pedidos de dinheiro começarem a surgir, e alguém, lá no fundo do poço, gritar que a culpa está naqueles que dividiram o dinheiro do pré-sal...

SAINDO do limbo............... Graças a SAnta NET

Depois de muito tempo afastado, agora não mais... Pelo menos espero; se a luz digital de Santa Net permitir, ficarei plugado por um certo tempo ainda... Amém.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Festival de Teatro para o Centro da Cidade de Curitiba


O 18º Festival de Teatro de Curitiba começou. A classe de artistas da cidade ficaram super felizes, pois não aguentavam mais esperar por este evento, jornalistas de todos os cantos, ficaram super alegres, pois poderão cobrir um evento que teoricamente é para todos, enfim, muita gente ficando feliz, enquanto um outro tanto de gente nem sabe ao menos o que se passa por aqui. O que me levou a fazer este texto foi o fato de assistir a um programa de televisão e ver o jornalista dizer que ''tem gente na cidade que ignora o festival''. Aquilo foi a gota de sangue que faltava no dente do vampiro... As peças que estão se apresentando em Curitiba tem preços variados. Peças que tem no elenco estudantes de teatro, custam 20 reais, com as promoções oferecidas e as facilidades na compra, é possível encontrar alguma coisa a 10 reais. As peças com atores não tão conhecidos fora do meio artístico tem preços que custam em média 30 reais. Com uma carteirinha de estudande e afins, é possível pagar 15 reais. Peças que precisaram se deslocar de lugares longínquos até esta terra por hora gelada, custam em média de 45 reais a 60 reais, com carteirinha é possível pagar 22,50. E assim os preços vão subindo até alcançarem picos de 70, 80 e 90 reais em alguns casos mais famosos. No bairro onde eu moro, dito de periferia, não conheço ninguém que pague 50 reais para ver uma peça, só por que ali estará o ator ou a atriz da novela tal. E digo isto por conhecimento de causa, que não é falta de cultura por parte deles, é questão de prioridade. Alimento, contas, cultura... Quando o ser humano alcança a terceira palavra, o dinheiro já acabou. Então alguém pergunta, e o futebol? Não estou me referindo a estes, onde a lista de prioridades tem início no próprio esporte, refiro-me àqueles que não se importam muito com tais jogos.

As primeiras reportagens que saíram em relação ao festival de Teatro colocavam os valores do investimento na casa dos 3,5 milhões de reais. Que coisa, tanto dinheiro investido num evento tão grandioso, que metade dos bairros da cidade não sabe o que está acontecendo no centro. Não é de hoje que Curitiba privilegia o centro da cidade, afinal, é pra lá que vão os turistas, por isso aquele lugar é tão bem cuidado. Enquanto isso, que privilégios tem os moradores da Favela da Vila Esperança, os moradores do Campo do Santana, CIC, Osternak, os moradores da Cachimba, do Pirineus, Chapinhal e de tantos outros lugares que o resto da cidade nem sabe que existimos.

Por fim, e as peças de rua, que são de graça? Estas todos podem ver... Exatamente, são de graça mesmo. E não raramente tem dias da semana que apresentam até 5 peças na rua, mas onde? No centro da cidade. O cartaz do evento diz: ''Durante duas semanas a cidade será tomada por diversos espetáculos da Mostra Fringe, que reúne cerca de 300 montagens de companhias independentes de todo o país, e da Mostra Contemporânea, que terá 24 peças selecionadas pela curadoria do festival. O evento conta ainda com eventos paralelos como o Risorama, o Mish Mash e o Gastronomix''. No centro da cidade e ao redor dele, não na periferia. Nenhuma peça destas 300 montagens que aí estão, vem até os bairros mais afastados do centro. Hoje, enquanto eu almoçava na lanchonete do Net's Bar, na troca de um serviço para outro, vi uma reportagem onde o jornalista disse:

''_ Agora tem três peças acontecendo na cidade, e poucas pessoas estão por aqui, as que passam perto de onde está acontecendo o evento, ignoram completamente a apresentação.''

Será que alguém pode dizer a esta mulher que todos que passam por ali estão indo e vindo de um trabalho ou coisa parecida, caso contrário iriam parar, sem sombra de dúvida. Sorte dela que pode ver uma peça na rua enquanto trabalha. Quando o âncora perguntou à reporter onde ela estava, ela respondeu, ''no Largo da Ordem'', praticamente no coração da cidade. O bairro onde moro fica 43 minutos do centro da cidade, isto, indo de ônibus, se for a pé, consigo chegar lá em três horas. Na correria do trabalho, pois atuo na escala de prioridades que privilegia o alimento, não há como servir às peças que são oferecidas de graça a pessoas como eu, que, segundo os jornalistas, ignora o festival de Curitiba. Não é questão de ignorar, é questão de não ter tempo livre e nem dinheiro esquecido no bolso para tal privilégio. Em resposta a tais jornalistas eu poderia fazer-lhes a mesma pergunta, voltando para a minha realidade, enquanto eles dizem que tem gente na cidade que ignora o festival, por duas semanas, tenho o direito de dizer, que tem muita gente na cidade que ignora o lugar onde nós moramos, por mais de 50 anos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

PROFESSORES em GREVE




Doze de março de 2010, professores da rede estadual de ensino de São Paulo fecharam a avenida Paulista, armando a passeata que faz parte da greve iniciada no dia 5 de março, sexta-feira. Os docentes fizeram uma passeata até a praça da República, no centro da cidade. O sindicato dos professores do Ensino Oficial de São Paulo, chamado de Apeoesp, informou que 30 mil professores faziam manifestação no local. A Polícia Militar disse que não era pra tanto, segundo eles, o número de docentes ali presentes chegava a 8 mil pessoas. A presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha fez críticas ao secretário Paulo Renato e ao governador José Serra, segundo o próprio sindicato 80% do magistério paulista está parado.

Os professores paulistas pedem reajuste salarial de 34,3%; incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados; plano de carreira; garantia de emprego; fim de avaliações para temporários; e realização de concursos públicos para a efetivação dos docentes. O que não é nada de mais justo, quem é professor vai concordar em gênero número e grau, agora, quem nunca entrou numa sala de aula, desenvolveu uma depressão por estar na sala de aula, e gerenciou uma síndrome do pânico por anos seguidos em sua vida, devido aos traumas da profissão, é claro que vai discordar e chamar os professores de ''vagabundos'', como sempre acontece. Uma coisa é você conhecer o caminho, outra coisa é você andar pelo caminho.

A rede Estadual de Ensino de São Paulo conta com mais de 220 mil professores e 5 milhões de alunos. Segundo a Apeoesp, os professores que compõem o comando de greve estão visitando as escolas para conversar com pais, alunos e professores, explicando o porquê da paralisação. O que também é muito justo, a não ser para aqueles pais que vêem a escola como um berçário creche onde podem deixar seus filhos, no intuito de não terem problemas e irritações em casa; estes com certeza vão reclamar. O que já se tornou comum nos dias atuais. Mais comum ainda serão os comentários dizendo ''coitados dos alunos, sem aula, estes professores não tem vergonha de prejudicar os aluninhos assim?'', para estes posso dizer com conhecimento de causa, aqueles que querem estudar estudam onde estiverem, em casa ou na escola, agora, para 80% dos alunos presentes na escola, aquilo lá é apenas mais um ambiente condenado a depredação, nada além disso. Neste caso me refiro à escola pública, não posso dizer as demais, pois não as conheço... E são justamente estes que pensam em depredar, que mais tarde vão ralar o couro para pagar uma faculdade privada; enquanto sabemos que a grande maioria dos alunos da escola privada, vão ocupar as vagas das universidades públicas.

Enquanto a greve continua, o governo do Estado de São Paulo resolveu cortar os salários dos professores em greve. Segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), 58% da categoria parou as atividades. A Secretaria de Estado da Educação afirma que a paralisação é de cerca de 1% do corpo docente. De acordo com nota da secretaria, os grevistas "terão desconto salarial relativo às faltas, e estão perdendo condição de participar do Bônus por Resultados (...) e também do Programa de Valorização pelo Mérito".(Redação uol, 10/03/10).

Enquanto os professores de São Paulo estão parados, os professores paranaenses prometem parar semana que vem. Os motivos seguem praticamente a mesma cartilha dos professores paulistas. No Rio Grande do Sul os professores combinam para o mês de agosto uma mega operação protesto. Salvador, Alagoas e Maranhão estão cogitando a mesma ideia para os próximos meses. Talvez Sócrates, o filósofo grego, estivera sempre certo, mas o mundo se negou a rever e seguir seus ensinamentos: ''Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância; pois é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade''.

Sem sombra de dúvidas, se os professores não precisassem pagar suas contas, sobraria mais dinheiro para comprar remédios...

GLAUCO... tirinhas tristes num 12 de março



Glauco Villas Boas, 53 anos de idade, cartunista, desenhista, e na minha humilde opinião um cérebro privilegiado. O homem que criou inúmeros personagens de tiras de quadrinhos, onde um dos mais famosos era Geraldão; morreu. Mas não morreu por que estava doente, nem por que sofreu um problema sério em seu mundo fantástico, mas sim, por que um animal o matou. Glauco foi morto a tiros em uma tentativa de assalto em sua casa em Osasco, na Grande São Paulo, na madrugada do dia 12 de março de 2010. Pra se aproximar mais ainda dos animais, e que eles não me ouçam, pois não pretendo ofender os animais comparando este ser insignificante que assassinou Glauco, com qualquer espécie irracional; o filho do desenhista, Raoni, também foi morto. Alguns animais matam para se defender, outros matam para acabar com a fome e existem àqueles que matam por matar, talvez instinto assassino, talvez vontade de defender alguma coisa que lhes pertence, talvez apenas por se sentir ameaçado pelo outro... Não há como saber o que se passa na mente dos animais. Muitas pessoas tentam explicar a vontade dos animais, eu confesso que não tenho esta habilidade. Agora, quando o ser humano mata, alguns especialistas aparecem novamente tentando explicar a mente de tal assassino. Ele é louco, ele é doente, ele matou por se sentir ameaçado, ele matou por instinto, ele matou por que não teve sua vontade realizada, ou ele matou por matar? Confesso que também não tenho habilidade para explicar a razão de um assassinato. Em ambos os casos, comparar este assassino com um animal irracional, foi justamente uma forma que encontrei para explicar minha não habilidade em saber o que se passa na mente alheia. Em minha trajetória de vida já fui atacado por animais que simplesmente me atacaram, sem qualquer explicação acima; assim como já fui atacado por seres humanos que simplesmente me bateram, sem que eu ao menos tivesse esboçado qualquer movimento, ou dito qualquer palavra. Por isso, não entendo a mente do outro.

Os bandidos entraram na casa e abordaram a família. Um deles se dizia Jesus Cristo. Glauco negociou com os marginais que iria sair de casa com eles, deixando ali a família sã e salva, mas na saída, um dos filhos chegou. Viu tudo que estava acontecendo e discutiu com os bandidos. O bandido armado chegou a colocar a arma em sua própria cabeça dizendo que iria se suicidar, mas, voltou a arma para os dois homens que estavam a sua frente e não pensou duas vezes atirando no pai e no filho.

Glauco nasceu na cidade de Jandaia do Sul, interior do Paraná. Começou a publicar suas tirinhas no jornal ''Diário da Manhã'', da cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo, no começo dos anos 70. Em 1976, foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, no ano seguinte, começou a publicar seus trabalhos na Folha de São Paulo com longos intervalos de tempo. A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras de forma regular no jornal. Entre todos os personagens que ele criou estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre muitos outros. Em 2006, ele lançou o livro "Política Zero", reunião de 64 charges políticas sobre o Governo Lula publicadas na página 2 da Folha. Glauco também era líder da igreja Céu de Maria, ligada ao Santo Daime e que usa a bebida feita de cipó para fins religiosos.

Por fim, só nos restou a saudade...

quarta-feira, 3 de março de 2010

TRANSPORTE Coletivo - eu vou...





A primeira foto mostra as pessoas andando de ônibus em Curitiba - PR, a segunda foto mostra os passageiros tentando embarcar num ônibus na cidade de Recife - PE, a terceira foto mostra pessoas andando de ônibus na Índia e a última foto mostra um trem lotado, na Índia também, transporte este que atravessa boa parte da região sul daquele país.

Ontem a tarde não consegui chegar a tempo ao ponto de ônibus, para pegar o buzo das 16:20, cheguei ao ponto as 16:25, então tudo já estava perdido. Ao parar na calçada de cimento branco, olhei para minha direita e vi o transporte coletivo que pego todos os dias se deslocar ao longe. Naquele momento meus olhos seguraram as lágrimas, mas fui forte e não chorei, até por que tinha dois homens de bermuda perto de mim, e uma mulher segurando duas latas de sardinha nos braços cobertos por uma blusa de lã, devido ao frio que fazia na capital do Paraná naquele cair de tarde.

Ao perder o horário do ônibus habitual e rotineiro, eu estava encrencado. Não por que fiz algum tipo de promessa em tomar todos os dias o mesmo carro, mas devido ao fato de encarar uma super lotação no horário das 16:30. E não deu outra. O ônibus chegou torto ao lugar onde eu estava. A porta abriu e vi com olhos tristes aquela parede humana a minha frente. As pessoas se amassavam e se empurravam ao mesmo tempo que continuavam abraçadas umas as outras. Na esperança de que alguém saísse dali para descer, vi apenas um pé se movimentar a minha frente. Um pé calçado num sapato preto, de um senhor idoso que por ali segurava na maleta de um homem jovial, que por sua vez agarrava-se no cabelo de uma senhora, onde esta sim, segurava na barra de apoio do ônibus para não ser lançada ao chão durante uma freada mais brusca. O pé saiu do meio do bolo de pernas, fez um movimento anti horário, aliviou-se por alguns segundos, então seu dono o recolheu para um lugar próximo de onde ele estava, pois aquele espaço que anteriormente ele ocupava já estava ocupado por um outro pé, desta vez feminino.

Perante a parede humana, entrei no carro. Literalmente é como entrar na parede, segurar na tinta, aqui rebocada em forma de corpos humanos, e esperar a porta do ônibus bater nas suas costas, empurrando você mais para o fundo, fazendo seu corpo esbarrar naqueles que ali estão. Eu estava indo trabalhar, mas muitos estavam voltando do trabalho, com suas pizzas enraizadas nas axilas molhadas que espeliam odores nada franceses ao ambiente coletivo.

Por mais uma vez tive meu pé pisoteado. Não encontrei um espaço para apoiar com segurança as minhas mãos, e vi as mesmas grosserias de todos os dias. Embora as condições do transporte não atendam a todas as expectativas, cheguei exatamente no horário previsto, desta vez três minutos antes do momento que chego todos os dias. Isso sem contar que perdi o ônibus que costumo entrar cotidianamente. Talvez seja por este motivo que temos um transporte modelo para o restante do país, como diz a propaganda. Sem dúvida alguma as conexões com passagem única, o horário cumprido e as condições de espera nos tubos, fazem valer a fama do transporte modelo; mas não podemos incluir conforto, segurança e bem estar durante o trajeto. É uma pena que a maioria dos turistas que vem pra cá não vem pra trabalhar e encarar um ônibus lotado no horário de pico, apenas vem passear e conhecer o que há de belo, afinal; são turistas...

O transporte é bom, as conexões são excelentes, o horário é cumprido em 90% dos casos, mas... Faltam mais ônibus. A população deveria se unir e atentar para isso. Exigir mais ônibus seguros e com espaço interno, afinal, pagamos a passagem, não pegamos uma caroninha com o motorista gente boa do biarticulado vermelho. Uma ou duas pessoas gritando são loucas, mas a cidade inteira gritando, é protesto; e mesmo que sejam todos loucos, vira reivindicação, queira ou não queira. A polícia deveria usar a lei do Talião para com os vândalos que quebram os ônibus nos dias de jogos de futebol, fazendo com que a população de bem pague pelos erros alheios, como aumento de passagem e menos ônibus nas linhas. O problema da super lotação já é considerado pelo meu cerébro uma espécie de medo constante na ida até o ponto de ônibus. Acredito que desenvolvi uma espécie de síndrome do pânico com isso. Só de pensar, entro em desespero. Como está acontecendo agora. Talvez isso ocorra pelo fato de só agora olhar para o relógio e perceber que já são 16:23 e acabei de perder o coletivo não tão cheio das 16:20.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

''A misteriosa sacolinha brasileira de MADONNA''


Madonna esteve no Brasil uma vez, e todo mundo disse que era pra ver o namorado Jesus, mas desta visitinha ela levou um par de milhões no bolso. Depois então voltou, levou mais um monte de notas no bolso, dizia ela que era pra montar um ONG. Agora, no carnaval, pra vestir a camiseta da cerveja Brahma, ela recebeu uma bolsinha de um milhão de dólares, que coisa, e tem tanta gente precisando de doação pra fazer coisa boa no Brasil, mas ainda assim preferem encher o bolso da mulher de Jesus, enfim... Em busca de algumas respostas para a foto que encontrei num site de notícias, deparei-me com uma reportagem no jornal Folha de São Paulo, onde a jornalista Mônica Bergamo trouxe a luz algumas informações sobre ''a misteriosa sacolinha brasileira de Madonna''. Segundo Mônica (São Paulo, domingo, 21 de fevereiro de 2010, Folha de São Paulo - Ilustrada), nem os ''parceiros'', que fizeram as doações para a suposta Ong Success for Kids (SFK, sucesso para crianças), nome da organização proposta por Madonna, sabem o destino dos US$ 10 milhões obtidos pela popstar em suas visitinhas ao Brasil. Tudo é muito enigmático, pois o que se viu até o momento foram muitos flashes e pouco resultado.  Madonna no camarote durante o carnaval, o que poderia ser? Amor por escola de samba ou amor pelo Brasil? Talvez nem um nem outro, ou quem sabe uma mistura de tudo ao mesmo tempo, incluindo dinheiro, pois é assim que vivem os grandes cantores, você paga e eles fazem a apresentação, sabe lá Jesus. Madonna conversou ao celular,  com um representante da AmBev, próxima a alguns empresários de SP que estavam com ela negociando apoio à Ong Success  for Kids (SFK, sucesso para crianças); a conversa ouvida e citada por Mônica Bergamo em sua coluna foi: "Hello... Ir ao camarote da Brahma no Carnaval? Yeah, se vocês doarem US$ 1 milhão para os meus projetos sociais, eu passo duas horas lá. Bye, bye!" . E ela foi... Isso quer dizer que doaram então? Doaram, basta ver a foto acima. 
Daniel Bergamasco (São Paulo, domingo, 21 de fevereiro de 2010, Folha de São Paulo - Ilustrada) em reportagem de Adriana Kuchler, Diógenes Campanha, Lígia Mesquita e Ricardo Westin citam que desde novembro de 2009, quando Madonna veio ao país, subiu o morro, almoçou e jantou com milionários e bilionários brasileiros e distribuiu sorrisos ao lado de políticos, a popstar arrecadou cerca de US$ 10 milhões para a entidade. Mesmo com uma ampla divulgação, todo este empenho da cantora gerou um monte de dúvidas. Então pouco a pouco todos começam a perguntar: as quantias em dinheiro já foram depositadas? Em que conta? E como serão usadas? Em benefício de quem? Bergamo cita o fato da SFK ter uma diretora no Brasil, Estela de Wulf, a jornalista ligou para a mulher que contribuiu muito pouco para alguns esclarecimentos. Mônica enfatiza que o jornal Folha de São Paulo tenta entrevistá-la há mais de dois meses, mas Estela diz que está ocupada e que não pode responder. Estranho, muito estranho...
Adriana Kuchler publicou na Folha que na quinta-feira, a assessoria de imprensa da tal Ong de Madonna enviou um texto de apresentação ao jornal, segundo o qual a entidade trabalha no "desenvolvimento socioemocional, físico e intelectual" de crianças de 8 a 12 anos, que aprendem ali "que suas realidades são resultado de suas próprias escolhas, e não do meio ou das circunstâncias em que vivem". Em termos mais específicos, o trabalho é levar lições da cabala (vertente mística do judaísmo) a garotos pobres. Se há algum tipo de caridade, a ONG não detalha qual é. O texto diz também que a organização está no Brasil desde maio de 2008 e, de lá para cá, adaptou suas aulas "para as necessidades locais", capacitou quatro professores e promoveu 22 cursos-piloto. O Suriname capacita muito mais professores que isso no mesmo espaço de tempo... 
Das doações prometidas, pouca coisa já saiu das cartas de intenções. A EBX, empresa do bilionário Eike Batista, diz que, dos US$ 7 milhões (cerca de R$ 12,8 milhões) anunciados, "US$ 500 mil serão doados em cash (dinheiro vivo)". "Serão", no futuro. E os outros US$ 6,5 milhões? A empresa diz que a SFK receberá o montante "de acordo com o atingimento de metas" de seus programas sociais. Então Mônica questiona, ''por que Batista foi tão generoso com o pleito de Madonna''? "A proposta de trabalho de desenvolvimento da autoestima das pessoas foi considerada apropriada para o apoio." O banqueiro Luis Octavio Indio da Costa prometeu US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,8 milhão) em nome de seu banco, o Cruzeiro do Sul. Vai dar a quantia em 24 parcelas de US$ 41,6 mil (cerca de R$ 76 mil), porque "evidentemente, a gente quer ver como esse dinheiro é aplicado". E acertou com Madonna que será um "arrecadador informal" da SFK junto aos amigos endinheirados de SP. Já a AmBev informa que depositou US$ 1 milhão em conta da instituição no Brasil no dia 12, quando seu presidente, João Castro Neves, foi fotografado com a estrela ao lado de um cheque gigante. No domingo de Carnaval, ela cumpriu a promessa do telefonema: brilhou na Sapucaí usando camiseta com a marca da cervejaria. O sucesso do investimento de marketing foi claro. E o social? "Pelo que me contaram, a Success for Kids já desenvolve projetos em 15 escolas de SP há dois anos e está há seis meses no Rio. O trabalho dela tem resultado", diz Castro Neves. Nas ONGs Meninos do Morumbi e Lua Nova, de SP, e Energia Olímpica, do Rio, três das seis "parceiras" citadas no texto de divulgação da SFK, a opinião é outra: todas criticam a entidade.
"Há dois anos, a SFK dá um curso que passa valores éticos e morais aqui. Mas nós entramos com toda a logística, o material. Eles oferecem professores e monitores", diz Flávio Pimenta, fundador da Meninos do Morumbi. "Parece que todo rico e famoso tem que fazer o bem por uma questão de marketing. Ajudar as pessoas é um trabalho muito mais profundo e difícil. As pessoas não podem oferecer o resto''. O projeto Energia Olímpica, do Morro dos Cabritos, no Rio, cujas crianças se apresentaram para Madonna no hotel Fasano, já recebeu o curso "As Regras do Jogo da Vida", mas diz que nunca foi "ajudado" pela organização. "Quando falam que o nosso projeto é da SFK, é um abalo para a relação com os nossos apoiadores de fato", afirma o coordenador Marcelo Sauaia. Por enquanto, só uma turma foi formada. "A SFK ficou de nos contatar para montar outras, mas até agora nada." Madonna também conheceu as alunas atendidas pela ONG Lua Nova, de Araçoiaba da Serra (SP), mas "nunca deu um tostão e nem tem previsão de dar", diz a fundadora Raquel Barros. Para assistir às aulas na capital, uma das turmas teve de viajar com transporte pago por empresários que ajudam a Lua Nova, citou Mônica Bergamo. Raquel diz que pretende discutir com a SFK como se dará esse novo apoio. "Se vai apoiar, quero que fique claro como será. Vivemos de captação de recursos e fica difícil conseguir dinheiro quando dizem que a Madonna já está ajudando", pondera. Em SP, Madonna foi recebida pelo governador José Serra (PSDB). Antes do encontro, o gabinete dele foi vistoriado pelo segurança da cantora, talvez seja o mesmo segurança que bateu no integrante do Pânico na tv quando este tentava dar uma camiseta de presente pra ela. O resultado foi uma promessa de parceria: aulas da SFK dentro do programa Escola da Família (de esporte e lazer em colégios estaduais aos finais de semana). A ideia veio do secretário da Educação, Paulo Renato Souza, que explica o que ouviu na reunião: "Disseram que a ONG tem trabalhos em vários países, boa avaliação de auditoria de empresas internacionais. Estão aplicando, aqui em SP, experimentalmente, parece que com bons resultados". Enfim... Parece que cada vez mais no mundo de hoje o nome é mais importante do que  a intenção existente dentro da cabeça do dono deste nome... Parece confuso, mas no fim talvez o confuso se explique, ou não.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CARNAVAL - festa da CARNE



Carnaval e banheiro químico, velhos amigos... Em uma grande cidade do Brasil, um milhão e novecentas mil pessoas se apertavam num bloco carnavalesco sem tamanho definido. A multidão era tanta, que tiveram de abrir mais de 50 ruas para que pessoas e mais pessoas se apertassem por ali. Em meio a toda aquela bebedeira, gritaria e outras coisas que acontecem; chega a hora de ir ao banheiro. Na intenção de não ver as calçadas tomadas por urina e coisas que melecam o sapato da gente, a prefeitura instalou 500 banheiros químicos nas proximidades do lugar. O que parece muito, não é nada... Vamos as contas.

Em média, nesta situação, temos um banheiro químico para cada 4 mil pessoas. É gente pra caramba. Caso, porventura, quiçá, todo mundo sinta vontade de ir ao banheiro ao mesmo tempo, teremos uma fila gigantesca de espera, sendo 4 mil pessoas na frente de cada banheiro; em fila, tudo organizado. Como nenhum milagre é isolado, se cada uma destas pessoas que estão na fila decidirem ficar somente um minuto, um pequeno minuto de 60 segundos dentro do banheiro, e depois sair para dar lugar ao próximo usuário, o último componente da fila conseguirá entrar no banheiro no tempo de 2 dias e meio.

Haja bexiga pra aguentar todo este tempo...

O HOMEM COM O CELULAR Na orelha, o CAIXA ELETRÔNICO e o gerente ENGRAVATADO




Eu estava no banco, no saguão de entrada, em pé, numa fila com cinco pessoas, onde eu era o quinto elemento, esperando para usar o caixa eletrônico; iria sacar o dinheiro para pagar as contas de luz e água. Enquanto esperava para usar o aparelho percebi que um homem, vestindo cinza, olhava para todos os lados e não tirava um aparelho celular da orelha. Ele conversava baixinho com alguém e não era possível escutar o que ele dizia. Depois de alguns minutos ele saiu pela porta do banco, e foi embora. Talvez fosse só um cliente do banco desesperado por encontrar sua mulher no exato momento que ela saísse do escritório onde trabalha, para que os dois pudessem almoçar juntos, pois era horário de almoço. Talvez fosse um amante de uma grande madame, marcando encontro nas proximidades do banco, pois há um motel na esquina. Talvez fosse um amante de uma pobre mulher, insatisfeita no casamento desgastado de muitos anos, onde o marido só lhe trouxera desgosto e sofrimento. Quem sabe não era um amigo esperando por outro amigo. Talvez pudesse ser um eterno apaixonado preparando uma surpresa à mulher que ele tanto venera. Ou ainda, quem sabe, pudesse ser um golpista, ou até mesmo um ladrão...

Pensei melhor na última hipótese, pois a situação começava a ficar sinistra em minha mente. Saí da fila onde eu estava e fui até o lugar onde ele estava. Observei que daquele lugar ele tinha uma visão privilegiada dos botões de todos os caixas eletrônicos; tudo bem, e daí, você pode pensar, mas eu explico onde o meu raciocínio foi. Observei dali um dos clientes sacando dinheiro, ele colocou o cartão na máquina, a máquina não pediu senha, pois este cliente tem um cartão com chip, onde a senha já está inserida no cartão, logo após isso ele retirou o cartão da máquina, a máquina então lhe apresentou uma série de letras expostas na tela, ele digitou as letras, apertando duas vezes o primeiro botão e uma vez o último botão da segunda coluna. Tudo bem até aí, o negócio é que quando a máquina iria realizar a operação, sabe lá por qual motivo, ele cancelou o processo e começou tudo de novo. Continuei observando e ele realizou o mesmo procedimento, inclusive com as letras, digitando duas vezes o primeiro botão e uma vez o mesmo último botão da segunda coluna. Aquilo me chamou atenção na mesma hora. Deixei o lugar onde ele estava, e agora estivera ocupado pela minha pessoa, e caminhei até a mulher que distribui senhas para o uso dos serviços internos do banco. Antes que ela me desse uma senha, andei até o segurança e perguntei a ele:

_ Você pode me dar uma informação, quando eles trocam a sequência de letras do caixa eletrônico?

_ Como assim?_ o homem não entendeu minha indagação, então repeti com mais clareza.

_ O caixa eletrônico, quando eu coloco meu cartão ali dentro, ele pede uma sequência de letras, para que eu possa continuar a operação, quando a sequência de letras é trocada, você pode me dizer?

_ Toda sexta-feira._ respondeu o guarda.

Não colocando muita fé na resposta do homem, decidi ir conversar com um dos gerentes que ali trabalham. Peguei a senha com a moça da entrada, e caminhei até uma das mesas de atendimento, já dentro do grande saguão da agência bancária. Logo que me acomodei na mesa, cumprimentei o homem e lhe fiz a mesma pergunta. O homem, portando um bigode considerável, não soube me responder de imediato, então chamou o segurança que estava em pé, próximo a porta, e fez a mesma pergunta que eu lhe tinha feito. O guarda respondeu sem titubear:

_ Toda sexta-feira._ não houve climão algum, por se tratar de outro segurança da agência, menos mau.

Ao juntar as peças, comentei com o gerente:

_ A maioria dos cartões do banco vem com o chip onde já está a senha, a sequência de letras apresentada no caixa eletrônico não muda de uma operação pra outra, somente na sexta-feira, ou seja, quem roubar o seu cartão e observar o que você faz no caixa eletrônico pode limpar sua conta.

Ele pensou um pouco e me respondeu:

_ É só tomar cuidado com os procedimentos que você faz no caixa eletrônico, a gente não pode se responsabilizar por isso, a senha no cartão foi colocada pra facilitar as operações.

_ Tudo bem, mas você podia mandar um e-mail pra alguém, ou comunicar algum chefe seu para que a sequência de letras seja trocada de uma em uma hora, ou o tempo todo?

_ Não, isso é humanamente impossível, não há como fazer. Mas eu vou mandar um e-mail falando sobre isso.

_ Obrigado._ agradeci pela atenção.

Levantei e saí do lugar. Já se passaram dois dias daquele momento e as letras ainda continuam do mesmo jeito, na mesma sequência. Se você fizer 30 operações no caixa eletrônico antes de sexta-feira, e nas 30 vezes a máquina pedir pra você digitar as letras, elas estarão na mesma posição. Pelo menos nos bancos que tenho ido tem acontecido isso; não posso responder pelo resto do país. Enfim, o que nos resta a fazer é seguir os sábios ensinamentos do gerente que me atendeu: ''É só tomar cuidado com os procedimentos que você faz no caixa eletrônico'', ou ainda, usar o caixa eletrônico somente aos sábados, pois as letras já estarão trocadas e você poderá se sentir um pouco mais seguro... Por fim, peço a Deus que aquele suposto golpista não leia este texto.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CAMINHÃO com CANA


Nunca vi colocarem tanta cana em cima de um caminhão, isso não é pra qualquer um... Parabéns meninos, Zico é Zeca.

A TELEVISÃO que o homem FAZ


Assistir ou não assistir? Esta é a questão de muitas pessoas que andam e falam por aí... O problema é a vergonha. Se algum intelectual falou que este programa é ruim, então uma grande parte de pseudos intelectuais também vão malhar, falar mal, e criticar negativamente este negócio que serve para dar uma ''espiadinha''. Que coisa. Agora, se algum intelectual falar que é bom, então vai ter uma galera que terá orgulho de dizer: ''eu assisto''.

Por que isto acontece com as pessoas? Eu perguntei a um amigo psicólogo por que uma gama de pessoas seguem grupos sem tirar suas próprias conclusões, como é o caso deste programa que tanto falam mal, mas é o programa com maior audiência da televisão na atualidade, segundo os números do IBOPE. ''A psicologia explica que o ser humano sente-se condicionado a adquirir formas de conceito internalizado, na intenção de agradar uma parcela de pessoas que convivem com ela. Dizer num grupo de amigos que não gosta, quando todo mundo gosta, não é compatível com o intelecto de aceitação daquele meio social''; esta foi a explicação do psicólogo.

Não satisfeito com isso, por que acreditei que a resposta não respondia minha pergunta e somente dizia o óbvio, perguntei a um amigo professor de sociologia, eis a resposta: ''Aquele mundo criado para ser um faz de conta, não pode levar em consideração a grande massa de brasileiros que ficam em casa sem ter o pão, o conforto, ou até mesmo as regalias que ali são apresentadas. Assistir a este programa e criticar, faz gerar um alívio de estar desabafando com a sociedade tão injusta quanto é a nossa, na intenção de mobilizar uma certa camada social, para que as igualdades sejam feitas e não somente a exibição pelo dinheiro capital que humilha as camadas mais pobres''; enfim, assim disse o sociólogo.

Hoje de manhã quando eu chegava em casa do trabalho, encontrei Dona Alice, uma catadora de latinha e papelão vasculhando o lixo, depositado na rua pelo vizinho que mora do outro lado da rua. Parei para trocar uma ideia com a mulher e conversamos sobre as chuvas que estão destruindo casas. Próximo ao final da conversa, quando eu já estava quase me despedindo, caímos no assunto Big Brother. A mulher me olhou, enxugou o suor de sua testa e disse: ''Se você gosta assiste, se você não gosta, não assiste; não tem que ficar falando pros outros se assiste ou não, e nem tem que ficar falando se é uma porcaria, muda de canal e pronto. Lá no sindicato eu já to com dor de cabeça deles ''falá'' disso, vê outra coisa e muda o disco. Todo mundo diz que não assiste por que o programa não vale nada, mas todo mundo sabe o nome de quem saiu, de quem ficou e de quem tá fazendo intriga com quem''. Genial Dona Alice. Sou seu fã.

Ao final da conversa perguntei se ela assistia ao programa, e ela me respondeu: ''De vez em quando assisto, mas não acompanho; agora, se você pensar bem, tem coisa muito pior na televisão e ninguém fala nada''. Continuo seu fã Dona Alice. Um abraço e tenha um bom dia...

DESCULPAS no ano da bagunça...


Antes de qualquer coisa vou pedir desculpas a todos os meus dois leitores, pela demora em postar algo por aqui. Explico-lhes; não tive culpa alguma, textos e notícias estranhas foram surgindo a todo momento, mas eu não conseguia acessar ao blog com meu login e senha. O navegador de internet que uso não estava se entendendo com a linha telefônica e assim por diante... Já providenciei a pele de Amílcar Souza Ramos, o homem responsável por isso. Tudo resolvido, pelo menos por hoje, então devo aproveitar o espaço que este universo virtual me proporciona.

domingo, 31 de janeiro de 2010

CIRCO BRASIL...


CIRCO BRASIL... AQUI VOCÊ É O PALHAÇO

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Brasil, país onde eu nasci...




''Kassab retém verba de área de risco''

''No dia em que quatro pessoas morreram soterradas na capital por desabamentos provocados pela chuva, na quinta-feira (21), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) congelou R$ 25,6 milhões destinados a obras e serviços em áreas de risco. O valor representa 86,5% dos R$ 29,6 milhões disponíveis para essas ações no orçamento das 31 subprefeituras e da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras. O corte, que faz parte do contingenciamento de R$ 2 bilhões do Orçamento, surpreendeu ao menos dois subprefeitos que disseram não terem sido informados da medida''. (fonte: Estado de S. Paulo - por Ricardo Noblat - 27.1.2010)

Então fica a pergunta: Por quê?

No dia 25 de janeiro de 2010 o presidente pediu ao prefeito:

''Lula convida Kassab a encontrar soluções para São Paulo''

''O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou hoje o prefeito Gilberto Kassab a assumir o compromisso de dar um presente à cidade, trabalhando para encontrar soluções para os problemas do município, como as enchentes. Lula fez a declaração depois de receber do prefeito a Medalha 25 de Janeiro, criada para homenagear as pessoas que contribuem para o crescimento da cidade de São Paulo''. (fonte: Plantão | Publicada em 25/01/2010 às 15h09m. Valor Online)

E o presente foi dado...

''Serra corta verbas para enchentes e Kassab reduz orçamento de saúde e transporte'' 

''Governador José Serra apresentou orçamento polêmico para 2010. Propostas orçamentárias apresentadas pelo governo do estado de São Paulo e pela prefeitura da capital parecem seguir uma arriscada opção de cortes de investimentos públicos em áreas importantes como combate a enchentes, saúde e transporte. Já as verbas de publicidade cresceram. A redução de R$ 52 milhões no combate a enchentes, proposta pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para 2010, pode causar calamidade no estado durante o período de chuvas afirma deputado petista. Já os gastos com publicidade previstos para 2010 são de R$ 119,9 milhões''. (fonte: Rede Brasil Atual. Escrito por Suzana Vier. Publicado em 14/10/2009, 12:56)

As fotos mostram as enchentes ocorridas em São Paulo durante o mês de Janeiro de 2010.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

HAITI dos REIS









O que provoca os problemas da natureza? O homem? Deus? As grandes indústrias? O desmatamento? A poluição? A ira dos Deuses?

O que faz o ser humano ser solidário um com o outro nos momentos difíceis? O histórico de cada um? Saber que passar fome doi mais naquele que se alimentou bem do que naquele que ainda não comeu? Pensar ''podia ser comigo''?

O que leva as pessoas a esquecerem tão rápido uma catástrofe? Uma tragédia maior ainda? A propaganda apelativa da mídia? Saber que problemas acontecem, sempre aconteceram, e continuarão acontecendo eternamente...

A primeiro foto mostra as belezas naturais do Haiti. A segunda foto mostra a avenida central de Porto Príncipe, capital daquele país. A terceira foto mostra corpos esticados no chão haitiano devido as guerras de gangues de Porto Príncipe em 2007. A quarta foto mostra um homem desesperado próximo ao corpo de um parente atingido por um tiro. A quinta foto mostra crianças bucando água potável e voltando pra casa. Aquele simples balde, e muitas vezes sujo, continha a água que deveria ser consumida em 24 horas, as vezes 35 horas. A sexta foto mostra o morro de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que desabou em janeiro de 2010 matando várias pessoas. A sétima foto mostra os bombeiros e voluntários trabalhando nas buscas por corpos em Angra dos Reis após o desabamento. A última foto mostra as belezas naturais do Haiti, que poderiam muito bem ser de Angra dos Reis.

O que faz o ser humano, em especial do povo brasileiro, esquecer das coisas em tão pouco tempo? A mídia do nosso país?

O que faz o ser humano ignorar um povo miserável, como o povo do Haiti, por séculos, e agora se declarar triste pelos últimos acontecimentos?

Angra dos Reis recebeu as lágrimas humanas enquanto corpos eram retirados da lama, o Haiti entrou em cena e agora acumula lágrimas de pessoas que fazem o esforço de procurar no mapa onde fica aquele país.  A história de massacres e guerras urbanas ficaram pra trás, pelo menos nos jornais das últimas semanas. Se o ser humano, Deus, a natureza, ou se é que existe algum culpado por tudo isso, continuar fazendo o que está fazendo; o Haiti também não irá permanecer muito tempo na mídia.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SURINAME

Imagine que você tem a sua casa, onde moram você e sua família. Então, num belo domingo, depois de assistir o mundial de futebol de areia, você e sua família decidem ir fazer buracos no quintal; por incrível que pareça tem muita gente que faz isso. Digamos que depois de alguns buracos e coisa e tal, vocês encontrem ouro. Como sua mulher não conseguiu guardar segredo nem quando você começou a pintar o seu bigode, não era agora que ela ia conseguir ficar em silêncio. Dito isso, ela conta pra toda a vizinhança que vocês tem ouro no quintal. A partir de então começa a chegar gente de todos os lados para tentar encontrar algo no seu quintal. E assim o seu terreno vai enchendo de gente. E passado algum tempo estas pessoas começam a dizer que são os donos do lugar, que vocês nao tem mais direito algum de ali permanecerem. E mesmo que seu marido mostre a escritura do terreno, dizendo que aquilo ali pertence a vocês, os demais não querem nem saber, afinal, ali tem ouro, e com ouro não se brinca no bonde. Eu adoro esta expressão.
Eis então que para ganhar um dinheiro a mais, seu marido monte uma barraca de sucos de goiaba no terreno. Assim, os chamados garimpeiros que ali estão podem refrescar a garganta enquanto não encontram o ''Eldorado''. Para ganhar um pouco mais, seu marido coloca um táxi a disposição dos aventureiros.
E assim, vão passando os anos. Eles procuram ouro. Não respeitam as ordens locais, e continuam atuando como se fossem os donos do lugar. Mas, num determinado momento seu marido decide cobrar uma dívida de um dos garimpeiros que ali estão. Este garimpeiro se irrita com a cobrança do seu marido e mata o seu esposo a facadas. Na mesma hora os seus parentes, filhos, cunhados, e demais familiares gritam palavras de ordem:
_ Isso não pode ficar assim, nós já aguentamos ofensas suficientes, morte aos garimpeiros estrangeiros.
Em uma noite perseguem, batem, e não se pode dizer ainda que, matam. Foi assim no Suriname. Depois de anos e anos explorando um território que não lhes pertence, e em todas as reportagens que vimos na televisão até agora, os repórteres enfatizam que todos os brasileiros que lá estão, vivem de forma ilegal, o inevitável aconteceu.
Os jornais mais sensacionalistas entrevistaram uma brasileira, que não informou por A mais B o que fazia lá, se era uma prostituta ou uma garimpeira ilegal, que falou mal dos locais; isso é óbvio. Os jornais mais conscientes entrevistaram os dois lados, onde foi possível ouvir duas versões para o mesmo problema. E em último caso, os jornais mais polêmicos entrevistaram somente os Surinameses, que deixaram bem claro odiar os brasileiros do garimpo, por que os repórteres brasileiros que lá estavam, nem foram tocados, muito menos ofendidos.
Se os repórteres entram, trabalham em suas reportagens e vão embora sem serem tocados ou agredidos, mesmo que verbalmente, nem todos são inocentes nesta história então. Se os turistas lá chegam, visitam, gastam, e vão embora, sem serem tocados e nem agredidos, novamente voltamos a pensar que nem todos são inocentes nesta história.
Por fim, não digo que foi um ato bacana matar e estuprar, se é que isso aconteceu; mas por outro lado foi muito bom ver um povo expulsar aqueles que lá viviam de forma ilegal agindo como se o ouro fosse deles. Se no Brasil o povo tivesse esta iniciativa há trezentos anos atrás, com certeza Portugal não teria levado todo o ouro que levou da gente pra reconstruir Lisboa depois do terremoto.
É só uma questão de deixar bem claro quem é dono do quê neste mundo... Que mania de querer pegar o que não te pertence.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

E-MAIL ACEITA TUDO


''PULSEIRAS DO SEXO''

Uma vez eu recebi um e-mail falando sobre uma pessoa que tinha uma doença muito grave, e que naquele mesmo instante deveria ser feito uma oração para aquela alma doentia, mas com um agravante, a oração nao valeria nada se ao final da leitura aquele e-mail não fosse enviado para 20 amigos da sua caixa postal. Eu não enviei para 20 amigos, por que não tenho 20 amigos, se for contar, tenho dois, e um não está mais querendo ser meu amigo, isso leva meu grau de amizade a um único ser humano na face da terra. Enfim, dos males o menor; dias depois numa conversa com um hacker fiquei sabendo que estas tais correntes servem para dar dinheiro a alguém. Segundo informações dele, cada vez que você repassa um e-mail deste, ele ganha 15 centavos. Faça a conta e veja, devido a quantidade de endereços que ele tem postado no cabeçalho da mensagem, quanto dinheiro ele não ganha em alguns cliques.

Acreditar nisso que eu acabei de escrever é a mesma coisa que acreditar nos e-mails que todo mundo recebeu sobre a gripe A no Paraná. Enquanto a doença corria por aí, e pessoas falavam nas escolas: ''Vocês são loucos de trabalharem com esta doença contaminando todo mundo''. E quanto mais a televisão falava que as vítimas chegavam a 30, 50, ou 100, sempre tinha alguém que vinha com uma impressão de internet na mão falando mais alto: ''Não é verdade, tudo que a televisão divulga, você pode colocar o triplo em cima dessa contagem, está morrendo três vezes mais pessoas que isso aí''. Por fim, mais da metade da população paranaense morreu. Ultrapassamos a Argentina e o Estado do Rio Grande do Sul juntos. Tudo isso, segundo a internet, mais uma vez.

Eis então que aparece um e-mail falando sobre umas tais pulseiras do sexo. Segundo estas informações, de internet diga-se de passagem, a brincadeira teria surgido na Inglaterra, onde um grupo de alunos teria padronizado atos sexuais para cada pulseira arrebentada. Por serem coloridas, cada cor representava uma ação. Eis então que começaram a caçar as tais pulseiras nas escolas. Na escola onde eu trabalho foi uma festa. Os alunos nem sabiam do que se tratava, mas já estavam sendo acusados de fazerem parte do tal grupo das ''pulseiras do sexo''. Com autorização dos pais e responsáveis, as pulseiras coloridas foram confiscadas cotidianamente. E tudo isso aconteceu depois que um pai apareceu na escola com uma fotocópia de uma notícia tirada da internet, onde estava a tal reportagem da escola inglesa. Segundo esta, sem fonte, sem citar o nome da escola, sem citar qualquer dado comprometedor; a brincadeira teria surgido na Inglaterra algum tempo atrás, e atualmente ''os alunos de 12 anos, somente usam pulseiras pretas e douradas''. Segundo este mesmo e-mail, a pulseira preta significa fazer sexo, e a pulseira dourada significa fazer tudo referente ao sexo.

Ewandro Schenkel, em texto publicado pela Gazeta do Povo (04/12/2009), realizou a seguinte tarefa direcionada para este assunto das ''pulseiras do sexo''; sem perda de tempo ligou para a Delegacia do Adolescente de Londrina, cidade do norte do Paraná com mais de 500 mil habitantes, e perguntou se havia ocorrido alguma denúncia de abuso envolvendo menores com as pulseiras. O resultado foi nada. Os responsáveis por lá nem sequer sabiam da existência destes acessórios.

Não há o que dizer em relação a isso, parece que o mundo gira em torno dos e-mails. Parece que quanto mais sem fundamento ou comprovação sólida de que alguma coisa é real, mais credibilidade tem no mundo dos vivos. Para encerrar, citarei a frase de uma funcionária do lugar onde trabalho, há um ano da aposentadoria por tempo de serviço:

''_ Quando eu estava na escola também tinha estas pulseirinhas, eu até usava um monte no braço, mas eu nunca soube que era para esta finalidade do sexo.''

Talvez não sabia por que não existia internet há 65 anos atrás.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O HOME OFFICE


Pra variar um pouco a programação do final de semana, o síndico do prédio onde eu me escondo marcou uma maravilhosa reunião de condomínio para um sábado à tarde. Como sempre, eu fui. Às vezes tenho que parar de ser menos fanático por este tipo de coisa, enfim, eu estava lá, juntamente com mais oito pessoas; formando um total de nove condôminos. Só por curiosidade, o condomínio onde eu resido tem 190 pessoas. É sempre bom ver que há um interesse por coisas que interessam a todos, ou não.

Mas lá estávamos nós, nove corajosos ouvintes, num sábado a tarde, no horário do cachorro quente do mercado grande que existe perto do lugar onde moramos. A reunião ia bem, sem muitas discussões, quando o síndico resolveu ler um ítem do regulamento interno:

''Os apartamentos devem ser usados exclusivamente para domicílio, e não para fins comerciais.''

Era só isso, uma simples linha, lida em menos de dez segundos; mas... E o pior é sempre isso, sempre existe um mas no meio do caminho... Um dos presentes levantou a mão, e num tom estranho, disse um monte de coisas em língua estranha.

''_ Eu gostaria de saber se para este sufixo há uma possibilidade de uma não instauração de um home office? Por que eu tenho um home office na minha casa.''

Sem entender nada, o síndico olhou para os olhos dele, e já arrependido do que tinha lido, disse:

''_ Domicílio, quer dizer pra morar; é pra você morar na sua casa.''

Confesso que fiquei mais tranquilo com este tipo de informação, mas enfim, o morador insistiu no termo que estava usando, como se o síndico tivesse a obrigação de saber o que ele fazia dentro das paredes da casa dele.

''_ Estou perguntando de um home office, é possível ter um home office, ou até isso você vai tirar da gente?''

''_ Não estou entendendo você.''_ disse o síndico.

''_ Um home office, até quantas pessoas podem frequentar um espaço de um home office, dentro de um espaço destinado para um trabalho de office?''_ o homem estava se complicando cada vez mais em suas colocações.

''_ É domicílio! É pra morar eu tô dizendo, é pra morar! Você não quer morar na sua casa?''_ o síndico estava começando a ficar nervoso com tudo aquilo.

''_ Eu tenho um home office; por que não posso ter um home office na minha casa?''_ resmungava o morador.

Eu estava quase levantando pra ir embora daquele lugar, quando uma moradora, fazendo crochê, acomodada num banco atrás de onde eu estava, levantou a mão e disse para o síndico:

''_ É um trabalho em casa isso que ele tá dizendo. Ele tem um escritório na casa dele, mais nada. Ele não vai vender nada lá... Ou vai?''_ olhou pra ele.

Sem ter pra onde correr, o homem levantou e disse:

''_ Nâo é pra vender, é só um home office.''

No mesmo instante a mulher parou com seu crochê, e isso deve ter sido horrível pra ela fazer, por que ficou muito brava, levantou também, e disse em alto tom:

''_ Pára com essa merda de office, fala nossa língua, é um escritório dentro da sua casa, todo mundo aqui sabe o que é ter um escritório em casa, pára de ficar inventando moda.''_ a mulher sentou novamente e apontou para o síndico. ''_ Pode continuar agora.''

O homem ainda em pé, disse:

''_ Eu não vou mais ficar aqui na reunião por que eu tenho um compromisso agora as ''cinco'' horas da tarde, no meu home office.''

''_ Vai embora daqui, e leva o seu home office junto.''_ gritou a mulher.

Climão, realmente ficou um climão. Por fim, o homem saiu, e tudo transcorreu sem maiores problemas até o fim da discussão. Ás vezes fico pensando como é bom ter gente assim no nosso mundo, os tontos, que insistem em querer demonstrar conhecimento numa coisa tão banal e idiota como uma simples expressão estrangeira; e os de paciência curta, que não toleram estes tontos e fazem valer o bem estar de todos através dos gritos. Aquela situação estava realmente me deixando irritado, de tanto ouvir o cara querer se fazer entender sem explicar o que ele queria dizer, mas quando a mulher levantou a voz e eles quase se pegaram no tapa, fiquei com um pouco de medo da mulher, pois se ela faz valer sua impaciência como uma forma de acelerar o problema que estava acontecendo, assim ela também pode gritar mais alto para fazer valer suas decisões quando ela não concordar com uma outra opinião, tipo a minha. E foi o que aconteceu. Num avançado ponto da reunião eu opinei sobre algo, mas ela não concordou, e quis gritar mais alto. Eu temia que isso ia acontecer, e aconteceu. Por minha sorte naquele instante, minha opinião estava interligada com a opinião do síndico, e isso fez eu ganhar a causa; para desespero da mulher.

Não é querer dizer que eu estava certo ou coisa e tal, é querer entender o que leva alguém achar que tudo pode ser ganho no grito... Enfim, não é gritando que você ganha algo na vida... Com exceção dos animadores de auditório de televisão e dos técnicos de futebol.