''Quando acertamos ninguém se lembra, quando erramos ninguém se esquece''

sábado, 21 de abril de 2012

CPI para investigar os amigos da CPI



O caso Demóstenes está sendo falado na mídia há quase duas semanas, isso pode ser considerado um recorde para um escândalo político no Brasil. Ou seja, se Demóstenes está na mídia há quase duas semanas, isso é um sinal de que outro escândalo ainda não aconteceu; tendo em vista que no Brasil um escândalo encobre o outro, geralmente num espaço muito curto, bem menos que duas semanas.
O empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal por suspeita de "práticas criminosas", com a participação de agentes públicos e privados. O esquema foi revelado pelas operações Vegas e Monte Carlo, da PF.



O esquema funcionava da seguinte forma. Empresas de fachada serviam para lavar o dinheiro do jogo do bicho, habilidades estas que Cachoeira adquiriu com o pai, quando trabalhava no jogo do bicho com ele, bem mais jovem. A trama desmontada pela Polícia Federal envolve um monte de gente dita como importante no nosso país, entre elas, o senador Demóstenes Torres, no momento sem partido político. E quanto mais a Polícia Federal mexe, mais coisa aparece. Devido ao envolvimento com políticos, reforma de estádios para a Copa do Mundo, entre eles o Maracanã, jogo do bicho, dinheiro ilegal e mais um monte de coisa fora da lei, além da mídia batendo em cima da mesma tecla, a Politicagem e a Polícia Federal tomaram seus rumos. A Polícia Federal investiga e interroga quem está envolvido com Cachoeira. O Congresso decide os rumos do político Demóstenes convocando-o para dar explicações. Mas na política brasileira as coisas não acontecem assim, vai chamando e o cara vai chegando, não. É preciso armar um circo chamado CPI, onde uma galera assina se está de acordo com o tratamento que aquele ser humano vai receber; diga-se de passagem, até que o próximo escândalo aconteça, é claro. 





Eis então que os deputados e senadores se reuniram em Brasília para assinar um pedido de criação da CPI do caso Cachoeira. No final das discussões, pouquíssimos assinaram, mas então, o que houve? Eles se reuniram para assinar e não assinaram, como assim? Não assinaram por que estão envolvidos no processo do mensalão e em outros vários escândalos. Ou seja, é como você condenar a pessoa que até uma hora atrás tomava café com você e ouvia todos os seus segredos. Lembrando que essa pessoa é seu amigo, e não é legal sujar o nome de um amigo que faz negócios com você, na tentativa de querer provar que você nunca foi amigo dele. Sendo que todo mundo sempre viu vocês dois juntos. É como se o Robim mandasse investigar o Batman por ele andar de máscara na rua ajudando a polícia. É como se o Bandido da Luz Vermelha mandasse matar o... Ah não, isso já aconteceu de verdade.




Para não instalar uma CPI que constrangesse o amigo Demóstenes, muitos políticos do nosso país se negaram assinar à lista que iria dar início as investigações, com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Entre eles os presidentes da Câmara e do Senado, Marco Maia (PT-RS) e José Sarney (PMDB-AP). No fim das contas, uma grande maioria assinou e a CPI foi criada. Ela vai acontecer, queira essa minoria que não assinou, ou não. O requerimento foi lido ontem no plenário do Congresso Nacional, criando assim oficialmente a Comissão Parlamentar de Inquérito. Por fim o peemedebista Vital do Rêgo aceitou presidir a CPI do caso Cachoeira. No total foram 396 deputados e 72 senadores que apoiaram a abertura de uma CPI, entre eles os quatro deputados suspeitos de estarem envolvidos no esquema de Cachoeira: Sandes Júnior (PP-GO), Rubens Otoni (PT-GO), Stepan Nercessian (PPS-RJ) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Ou seja, já ganharam moral. São suspeitos, como acreditam que não fizeram nada de errado, assinaram um documento que vai investigar essa suspeita. Se for provada alguma coisa, deram um tiro no pé. Agora, se não provarem nada, quem vai dizer o contrário?
O objetivo dessa CPI será investigar as informações obtidas pela Polícia Federal, por meio das operações Vegas e Monte Carlo sobre jogos de azar no Brasil. Essas investigações indicam o envolvimento de agentes públicos e privados com o empresário de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira. O documento com o pedido de CPI passou na mão de uma galera, e é claro, passou também na mão do senador Demóstenes Torres, o principal nome de tudo isso. No momento ele está respondendo um processo no Conselho de Ética do senado por suspeita de envolvimento com Cachoeira, por isso, não assinou o pedido de CPI. Óbvio. E tem mais gente que não assinou ao pedido de CPI, entre eles os réus do mensalão, os deputados Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar da Costa Neto (PR-SP). O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu também não assinou nada. Lembrando que o ex-ministro José Dirceu é réu do mensalão, além de ter prestado consultoria à empresa Delta, citada pela Polícia Federal no escândalo que teria Cachoeira em seu comando geral. Ou seja, não vou ferrar meu pai, e nem eu... Deve ter pensado. Por falar em mensalão, o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), suspeito do envolvimento no mensalão mineiro, também não assinou. Fazer o quê. Quem tem, tem medo. A lista de quem não assinou é grande, outro exemplo; os deputados Sérgio Morais (PTB-RS) e Jaqueline Roriz (PMN-DF), envolvidos em recentes escândalos, também não assinaram nada de pedido para a CPI. Morais ficou conhecido por afirmar que se ‘’lixava’’ para a opinião pública, enquanto Roriz escapou de um processo de cassação depois de aparecer em vídeo recebendo um pacote de dinheiro de Durval Barbosa, o homem que delatou o esquema do mensalão do DEM. Por fim, é uma laranja podre atrás da outra, graças ao querido e bom Deus a maioria que não deve e nem teme, assinou, e a CPI foi aberta. Abaixo segue a lista completa de quem não assinou o requerimento de criação da CPI.




Deputados que não assinaram: (116 no total)
Acelino Popó - PRB BA
Adrian - PMDB RJ
Aelton Freitas - PR MG
Alex Canziani - PTB PR
Anderson Ferreira - PR PE
André Zacharow - PMDB PR
Aníbal Gomes - PMDB CE
Antônia Lúcia - PSC AC
Antonio Brito - PTB BA
Antônio Roberto - PV MG
Aracely De Paula - PR MG
Arlindo Chinaglia - PT SP
Arnon Bezerra - PTB CE
Aureo - PRTB RJ
Beto Mansur - PP SP
Bruna Furlan - PSDB SP
Carlos Magno - PP RO
Celia Rocha - PTB AL
Cida Borghetti - PP PR
Cleber Verde - PRB MA
Damião Feliciano - PDT PB
Davi Alves Silva Júnior - PR MA
Dimas Fabiano - PP MG
Dr. Adilson Soares - PR RJ
Edivaldo Holanda Junior - PTC MA
Eduardo Azeredo - PSDB MG
Elcione Barbalho - PMDB PA
Eliene Lima - PSD MT
Eros Biondini - PTB MG
Eudes Xavier - PT CE
Fábio Faria - PSD RN
Francisco Floriano - PR RJ
Francisco Praciano - PT AM
Giacobo - PR PR
Gladson Cameli - PP AC
Guilherme Mussi - PSD SP
Heleno Silva - PRB SE
Hermes Parcianello - PMDB PR
Hugo Napoleão - PSD PI
Inocêncio Oliveira - PR PE
Janete Capiberibe - PSB AP
Jaqueline Roriz - PMN DF
Jefferson Campos - PSD SP
João Carlos Bacelar - PR BA
João Leão - PP BA
João Lyra - PSD AL
João Pizzolatti - PP SC
Joaquim Beltrão - PMDB AL
Jorge Boeira - PSD SC
Jorge Corte Real - PTB PE
José Carlos Araújo - PSD BA
José Chaves - PTB PE
José Linhares - PP CE
José Otávio Germano - PP RS
José Priante - PMDB PA
José Rocha - PR BA
Jose Stédile - PSB RS
Josué Bengtson - PTB PA
Júlio Cesar - PSD PI
Junji Abe - PSD SP
Lael Varella - DEM MG
Laercio Oliveira - PR SE
Lauriete - PSC ES
Luciano Castro - PR RR
Lúcio Vale - PR PA
Luis Tibé - PTdoB MG
Luiz Carlos - PSDB AP
Luiz Nishimori - PSDB PR
Magda Mofatto - PTB GO
Mandetta - DEM MS
Manoel Junior - PMDB PB
Manoel Salviano - PSD CE
Marçal Filho - PMDB MS
Marcelo Aguiar - PSD SP
Márcio Reinaldo Moreira - PP MG
Marco Maia - PT RS
Mário De Oliveira - PSC MG
Mauro Benevides - PMDB CE
Mauro Mariani - PMDB SC
Natan Donadon - PMDB RO
Nelson Marquezelli - PTB SP
Nelson Meurer - PP PR
Nice Lobão - PSD MA
Nilton Capixaba - PTB RO
Otoniel Lima - PRB SP
Paes Landim - PTB PI
Paulo Magalhães - PSD BA
Paulo Maluf - PP SP
Pedro Henry - PP MT
Penna - PV SP
Rebecca Garcia - PP AM
Roberto Balestra - PP GO
Roberto Britto - PP BA
Rogério Peninha Mendonça - PMDB SC
Ronaldo Nogueira - PTB RS
Rosinha Da Adefal - PTdoB AL
Sandro Alex - PPS PR
Saraiva Felipe - PMDB MG
Sebastião Bala Rocha - PDT AP
Sérgio Moraes - PTB RS
Silas Câmara - PSD AM
Simão Sessim - PP RJ
Taumaturgo Lima - PT AC
Toninho Pinheiro - PP MG
Valdemar Costa Neto - PR SP
Vicente Arruda - PR CE
Vilson Covatti - PP RS
Vinicius Gurgel - PR AP
Vitor Paulo - PRB RJ
Walter Tosta (PSD-MG)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wladimir Costa (PMDB-PA)
Zé Silva (PDT-MG)
Zé Vieira (PR-MA)
Zeca Dirceu (PT-PR)
Zequinha Marinho (PSC-PA)
Senadores que não assinaram: (9 no total)
Benedito de Lira (PP-AL)
Clésio Andrade (PMDB-MG)
Clovis Fecury (DEM-MA)
Demóstenes Torres (sem partido-GO)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
José Sarney (PMDB-AP)
Lobão Filho (PMDB-MA)
Sérgio Petecão (PSD-AC)

Do José Sarney e mais alguns aí eu já esperava isso, esses não suportam o povo brasileiro, agora, tem gente aí... Olha, por alguns eu não esperava. Enfim. Uma dica. Divulgue a lista e depois a guarde. No dia da eleição procure um dos nomes que aí estão. Se encontra-lo na lista, evite votar no elemento. Caso contrário, ele vai continuar não votando nas coisas que interessam a você, mas sim somente a ele.

Fonte: jornalismo UOL / GABRIELA GUEREIRO de BRASÍLIA

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