''Quando acertamos ninguém se lembra, quando erramos ninguém se esquece''

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O BEM DEMORADO

Diria um cara que critica coisas que envolvem imagens: ''os atores são muito bons, mas este filme não fora feito para atores muito bons'', problemas a vista, compreendendo ou não tais palavras, pasmem, eu já li coisas assim. Por fim, eu saí de casa, num domingo, andei metade da cidade pendurado na lateral de um ônibus lotado, pois era dia de jogo também, próximo ao meu destino, o carro onde eu estava pendurado foi apedrejado, devido ao encontro fraternal com uma torcida rival. Pulei do bonde, corri para o cinema, comprei a entrada, entrei, e depois de tudo isso, onde esperava ser recompensado com um excelente filme, fui mais uma vez tratado como um mero sonolento na plateia.
Assistir ao filme O Bem Amado é sinônimo de algumas risadas. Os atores são muito bons. O roteiro é muito bom. A ligação com a história do Brasil, feita no começo e no fim do filme, é muito bem amarrada, mas, o filme não tem ritmo. É lento. Provoca sono nos corpos mais entusiasmados. A pouco diversidade de cenários, e os longos e longos diálogos, provocou-me isso. Talvez eu seja um caso a parte, tirando a senhora que saiu pendurada nos braços do neto, enquanto roncava sonoramente, mas esta foi minha impressão. Não quero ser maldoso a ponto de acusar o filme de chato, mas sim, sonolento, sem ritmo, sem plot, sem qualquer fato que provocasse uma reviravolta na história. Até o assassinato da mulher é previsível.
O roteiro é bom, mas em determinados momentos fica muito previsível. O moribundo que se cura, devido a falta de sorte do prefeito, isso era tão óbvio que iria acontecer, quanto a morte do prefeito, depois de quase dois anos sem morrer ninguém na cidade e a fala insistente do próprio Odorico: ''alguém tem que morrer nesta cidade, alguém tem que morrer nesta cidade''.
A história é bem montada; o prefeito é assassinado, e por não terem cemitério na cidade de Sucupira, o cadáver é preciso ser enterrado na cidade vizinha. Durante o trajeto do cortejo, Odorico levanta a bandeira que Sucupira precisa de um cemitério. É eleito, e faz deste ponto sua marca de governo. O problema é que ninguém morre em Sucupira, e isso causa aflições no prefeito, que não consegue inaugurar o cemitério.
Baseado na Obra de Dias Gomes, o filme O Bem Amado conta esta história. Mostra o dia a dia da irmãs Cajazeiras e a oposição existente entre o jornal da cidade e o prefeito de Sucupira.
Talvez o problema estivesse na tentativa de quererem colocar o maior número de informações possíveis que existia no universo da novela, dentro de um filme com duas horas de duração.
José Willker e Marco Nanini são muito bons. A genialidade de um completa a interpretação do outro. Não há como não gostar de tais personagens, mesmo Zeca Diabo sendo um homem que de mau passa a ser bom devido as reais circuntâncias. Sem contar no restante do elenco.
A edição, e a direção de Guel Arraes, também dispensam comentários. O tom de bang bang em determinados momentos relembra os clássicos faroestes americanos. O problema é a lentidão da história, isso não há como negar.
Os cenários não são diversificados. O gabinete do prefeito, o cemitério, a redação do jornal e a praia é o que mais aparece no filme. Claro que o filme apresenta uma outra cena aqui e ali, em lugares alternativos, mas em 80% da história tudo acontece nestes lugares. Já assisti filmes que se passam num único ambiente e não cansei tanto quanto neste, talvez pelos diálogos apresentados, ou pela falta de ritmo da história.
Isso cansa, não cansa tanto quanto correr de uma torcida fanática por futebol na saída do cinema, na esperança de não apanhar por ser inocente, mas cansa...